domingo, 16 de novembro de 2008

Despertar

Desperto receosa para a crua realidade.Abro os olhos e enfrento o novo dia Sou arrancada dos meus sonhos quase com brutalidade Vejo-me sozinha na existência vazia Levanto os olhos para mais um dia normal Temo pelo que me espera no futuro Sinto como se todo o mundo me quisesse mal Tenho medo de percorrer um caminho muito duro. Sinto-me desprotegida sem ninguém que me abrace Sinto o frio que se abate sobre mim e o meu peito faz doer Queria poder dormir sem que ninguém me despertasse Mas a vida é para ser vivida, não se rege pelo meu querer Esqueço os sonhos onde o calor me protege Esqueço os sonhos onde amo e sou amada Saio para a batalha da vida que nunca esquece Sem protecção, o meu coração é a minha espada. Cada minuto me inflige sofrimento como nunca senti Cada pessoa que por mim passa não faz mais que me magoar Choro na alma por tudo o que nunca vivi Sinto no meu peito a falta de alguém que me faça amar Olho pela janela sem esperança num futuro melhor Sinto que mesmo acompanhada continuo na verdade só A desilusão invade o meu peito, a tristeza é cada vez maior Mas ergo a cabeça, não quero de ninguém dó. Lembro-me de cada golpe que já sofri Lembro-me do tudo o que já chorei E de repente, inconscientemente lembro-me de ti E sorrio ao pensar no homem que amei E desperto novamente para a dura realidade Descubro que não amei, ainda amo Fico paralisada ao admitir a cruel realidade Pois nos meus doces sonhos é a ti que chamo. E saber isto não me trás o calor que deveria Saber isto não acalma nem um pouco o meu coração Apenas entristece um pouco mais o meu dia Porque sei que a tua resposta continua a ser não. Não me queres nem eu sei porquê… Não me queres pois outra ocupa o lugar que devia ser meu O que sinto por ti é forte e qualquer um o vê Olhar para ti era suficiente para subir ao céu. E cada vez me dói mais despertar Pois cada vez que acordo vejo que sozinha estou E forço-me dia após dia neste mundo andar Sem gozar a vida que por mim já passou. Sou quase uma morta cujo coração ainda bate Desperta para a realidade mas adormecida para a vida Sem esperança que um beijo a desperte Que deseja apenas por alguém ser querida. Mas o despertador berra ouvidos Levanto-me alagada em suor Afasto os temores na noite vividos E lembro-me que ainda posso ter amor. Com vigor reforçado levanto-me com força renovada Abro as cortinas o quarto e dou as boas vindas ao novo dia Afasto da minha mente a imagem da não amada E relembro as palavras queridas de quem me deu tudo o que podia Se queremos ser amados temos de aprender a amar Para poder amar temos de saber compreender e ouvir E relembro que a minha vida está apenas a começar. Olho-me ao espelho e descubro que estou a sorrir. * * TM desperta para uma nova realidade

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Miss U

Sinto falta de ti. Sinto tanto a tua falta que é como se me tivessem arrancado o coração de dentro do peito. Sinto falta dos nossos momentos de pura compreensão, sinto falta de brincar contigo. Sinto falta de conversar… Estranho… Afinal fui eu quem decidiu que afastar-me era melhor. E no fim, parece que me doi mais estar longe que estar perto… Não me entendo. Como posso esperar manter a cumplicidade se simplesmente me afasto e te afasto ao mesmo tempo? Será que a amizade resiste? O que me faz confusão é a forma como me sinto, aliás como não sinto. Na última vez que estive nesta situação a minha alma gritava, esbravejava, urrava de raiva e impotencia! Lutava por recuperar, não me sentia derrotada… Agora estou numa apatia inerte. Parada. Quieta. Só. Parece que não foi comigo. Não chorei, não gritei, não assimilei o que aconteceu. Ou o que não aconteceu, verdade seja dita. Tudo o que se passou foi vivido por mim, apenas por mim… Será normal alguém viver isto só, quando deveria ser vivido a dois? Talvez tenha visto o que não existia, sentido o que não sentia, ouvido o que não disseste. E claro, como ansiosa que sou, agi sem pensar. Cortei tudo o que me pudesse relacionar a ti sem pensar na falta que me fazes… Sem pensar que sem ti as horas são mais longas… Irónico não é? Na tentativa de me salvaguardar acabei por me magoar mais. Mal dá para acreditar. Preciso de chorar mas sinto o doce sabor da pena, sinto-me miserável e não faço nada para mudar este meu estado. Quieta. A verdade é que preciso de ti. Preciso de ti como a presença que me acalma e me trás a paz que agora esqueço. Preciso de ti como o protector que me dá a sensação de segurança que agora me falta. Preciso de ti como o amigo sempre disposto a ouvir e apoiar as minhas decisões… Preciso de ti. Vamos voltar ao que era antes! Antes de ter complicado o que era simples! Antes de ter estragado a beleza dos momentos que nos acompanharam tantos meses. Antes de ter querido o que não se pode pedir. Sinto falta de nós. Sinto falta de mim. Sinto falta de ti…

TM - Lost in Translation

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sozinha

Pensava que despertar era descobrir o amor.

Descobri que afinal apenas podemos acordar ao sentir a dor.

Percorro sozinha esta estrada vazia

Com os olhos abertos, sem certezas do que sentia.

Sinto o ardor das lágrimas nos meus olhos sem vida

Lágrima por derramar com o excesso de dor sentida

E no fim, tudo isto porquê?

Será mesmo que o coração não sente o que não se vê?

Ora aí está algo que me tentaram fazer acreditar

Mas a verdade é que aquilo que não vi acabou por me matar

Arrancado pelas costas foi arrancado o meu coração

Sem qualquer piedade, num acto de pura traição.

E as lágrimas por derramar assim ficaram

Em honra de todos os que em vão também choraram.

Talvez no meu destino não esteja escrito o amor

Talvez em minha vida não possa haver mais que este ardor

Este fogo que me queima por dentro

Este fogo que me desiquilibra, me faz perder o centro

Continuo não por vontade mas por necessidade de prosseguir

Mesmo sem forças eu arrasto-me sem saber o que sentir

A mágoa da traição recém vivida preenche o meu ser

A mesma mágoa que me impede de continuar a viver

Limito-te a caminhar sem esperança no meu peito

O sangue mancha o meu corpo com o coração desfeito.

Se voltarei a sorrir não sei

Apenas defini o que será agora a minha lei!

Não mais amar e a ninguém me entregar.

É esta a única forma de ninguém mais me magoar

TM outubro/2007

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Despertar

Abro os olhos e olho em meu redor***Observo o mundo com os sentidos alerta***Olho em volta mas não vejo dor***Vejo antes um sentimento que me desperta********************Vejo-te a ti a meu lado, sereno***Vejo-me a mim a teu lado, radiante***Vejo-nos a nós no nosso mundo pequeno***Nos nossos olhos a cumplicidade amante****************Junto a nós vejo a alegria das crianças***Vejo os amigos de sempre que sorriem para nós***Vejo o mundo cheio de esperanças***Vejo como unidos falamos numa só voz****************Desperto da letargia da minha vida***Desperto para um mundo de cor***Sinto que esta é uma vitória conseguida***Por fim descobri o que é o amor************Porque mais que ver agora sinto***Mais que olhar agora sei observar***E sobre os meus sentimentos já não minto***Agora que descobri o que é amar***************Desperto então sem medo***O mundo inteiro quero ver***Talvez seja ainda cedo***Mas não tenho nada a temer****************Grito ao mundo que te amo a ti***É esse o meu despertar***O dia em que os olhos abri ***E descobri que te estava a amar. *******************TM with eyes wide open ***************

Realidade

Como algo tão efémero se torna em algo tão sólido?Um brincadeira que se torna realidade, um sorriso que de súbito é algo mais. E então já não são necessárias lágrimas que caiam dos meus olhos para lavar a alma. Não são necessárias palavras que exprimam o que sinto, não são necessárias imagens e fotos para depois recordar. Porque tenho tudo isso comigo, à distância de um olhar. De que me valia ter um sorriso nos lábios se por dentro me sentia vazia? Mas agora não preciso de forçar nada. Tudo é natural e espontâneo. Tudo o que precisava, toda a força e carinho que precisava, que merecia, veio até mim sem pedir nada em troca. Finalmente descobri que podemos estar presos sem nos sentirmos amarrados com uma ligação invisível que é mais forte que aço. Finalmente descobri que a realidade supera a imaginação e que todos os segundos que esperei por este momento valeram a pena. Sinto como se tivesse tido de escalar uma montanha de sentimentos maus, de desilusões, de amargura até atingir o cume, onde posso finalmente suspirar de alívio e ser feliz. E finalmente sinto que não estou só. Como algo tão efémero se torna tão sólido? Não sei… Mas sei que quero aproveitar e desfrutar ao máximo desta sensação tão mágica que vive comigo no coração.

***All paths seem harder when you walk alone. Walk with me, hold my hand and we will be free. TM livin' the day***

Recordar

Pip, pip, pip...O som despertou-a do pesadelo de uma vida. Sentia o cérebro embrulhado, não conseguia raciocinar com clareza. As pálpebras pesavam-lhe mas de cada vez que cedia e fechava os olhos via luzes intensas. Os membros pesavam-lhe, não se conseguia mexer. Sentiu o cheiro a éter e desinfectante. Lentamente, muito lentamente tudo começou a vir a si. Fechou novamente os olhos e viu as luzes fortes que a encadeavam. Mas manteve os olhos fechados. Não havia luzes, eram flashes de memória que não sabia se queria ver, se queria recordar. As luzes tornaram-se em mais distintas, eram lâmpadas. Recordou um corredor e os gritos dos médicos. Estavam num corredor comprido. Iam rapidamente, via pela velocidade a que as luzes passavam. Fez um esforço para recordar o que diziam os médicos. Gritavam palavras e siglas que não conseguia entender. Sangue, pediam sangue. Isso conseguia recordar com clareza. Recordou como entravam numa sala cheia de aparelhos estranhos que faziam barulho e tinham luzes. Viu enfermeiras atarefadas de máscara no rosto, médicos de luvas com pinças, bisturis e compressas... Tudo lhe pareceu surreal. Porque estava naquele quarto, naquele hospital, naquela maca?Como se tivesse pressionado um botão de rewind a sua mente regressou mais no tempo. Estava no carro, ouvia na rádio o último êxito de uma banda consagrada e cantava em plenos pulmões. Sentia-se alegre. Parou no semáforo vermelho e desviou o olhar da estrada para ver os sacos de compras que se amontoavam no lugar do pendura. Espreitou para dentro de um deles e com o dedo acariciou o suave tecido branco. Tão pequeno que duvidava que um boneco coubesse lá dentro. As primeiras roupinhas...Abriu os olhos de repente. Tentou mexer os braços mas estes pesavam-lhe demasiado. Olhou para o lado direito e viu o seu braço com uma agulha espetada. Tentou com todas as forças do seu ser levantá-lo e levou-o ao ventre. O ventre que algumas horas antes (ou talvez mais?) era redondo e volumoso estava agora quase plano. Sentiu as lágrimas que lhe queimavam os olhos. Uma lágrima silenciosa caiu dos seus olhos e percorreu a face indo alojar-se na almofada branca. Fechou os olhos novamente e recordou tudo, com mais intensidade e rigor. Recordou a ambulância, o sangue, as dores... Recordou o esforço que faziam para a manter viva. Um esforço incapaz de manter o seu filho, a sua razão de ser. Recordou a voz do médico a dizer que estava estável, que tinha perdido muito sangue mas que infelizmente não tinham conseguido salvar a sua gravidez. Tinha perdido o bebé. Perguntou-lhe duas vezes se ela compreendia antes de mandar a enfermeira dar-lhe um sedativo e levá-la para um quarto limpo. A sua mente corria agora veloz. Tinha perdido o seu bebé. Mas... Perde-se um saco, uma carteira... Não um filho. Perder dá a ideia que se pode achar novamente. Algo impossível no seu caso. Então porque é que o médico tinha dito que tinha perdido? Só poderia achar o seu filho quando morresse também. E mesmo assim será que o iria achar? Nunca tinha acreditado em vida após a morte não sabia se era uma boa altura para começar...Sentiu o cheiro metálico do sangue. Ainda de olhos fechados sentia aquele odor característico. Será que alguma vez aquele cheiro a abandonaria? As pálpebras continuavam a pesar. O cheiro intensificava-se. A dor física ia sendo lentamente substituída por uma dor no peito que nada tinha a ver com o coração enquanto órgão. Algo a oprimia. Lágrimas por derramar, gritos por libertar, tensão por dissipar. Mas não tinha forças. Sentia-se cada vez mais fraca. E um suave torpor invadia o seu corpo. Ouviu muito ao longe uma espécie de campainha que provinha de uma máquina ao seu lado. Ouviu os passos apressados de alguém que gritou por auxílio. Por entre as palavras ouviu alguém gritar que era uma hemorragia. Mas o seu corpo não reagia. Deixou-se invadir pelo doce sono da morte e partiu em busca do seu filho perdido. TM

Tempo

O tempo parou.Uma fracção de segundo que parecia uma eternidade. Uma fracção de segundo que durou uma vida inteira. Uma fracção de segundo capaz de mudar o mundo. Nessa fracção de segundo ela reviu toda a sua vida. Pensou em tudo o que poderia fazer e nas consequências que o seu acto poderia ter. Nessa fracção de segundo teve de escolher entre cortar a cabeça dos seus inimigos ou seguir em frente. Estava numa encruzilhada. Independentemente da acção que tomasse sabia que ia sofrer e causar sofrimento aos inocentes que a rodeavam. E agora?O que faço?Nessa fracção de segundo em que o seu mundo parou ouvia apenas o som da sua respiração. Ouvia apenas os seus receios, sentia o frio da traição no seu peito e o calor da vingança na sua mente. O tempo continuou e ela decidiu. Decidiu fazer o que era certo mas depressa se apercebeu que aquela fracção de segundo tinha sido tempo demais. O seu mundo ruiu. Viu os inocentes que tentava proteger caídos no chão de terra suja. Viu a inocência perdida esvair-se como um grande rio que nunca pára. Ninguém pode reter as águas revoltas tal como a inocência não se pode recuperar. Olhou para si e viu as suas mãos manchadas de sangue, o sangue que tentara em vão evitar. E a seus pés, pedindo clemência viu os verdadeiros inimigos, aqueles que deveriam jazer no chão, vivos e sem qualquer dano visível. Começou a chover, e na poça que apareceu a seus pés viu o seu reflexo. Parecia uma rainha de gelo, uma guerreira impiedosa, os seus olhos não tinham calor. As lágrimas misturavam-se com as gotas de chuva que molhavam tudo. Quem sou eu para decidir a vida e a morte?Deixou cair a sua espada no chão e voltou costas a quem lhe pedia clemência. Com a espada deixou a amargura e a dor do campo de batalha. Pois apesar de ser vencedora na verdade sentia-se vencida. Tudo numa fracção de segundo. Sentiu como se tivessem arrancado a vida de dentro dela. Não era capaz de olhar as verdadeiras vítimas da sua batalha. Também ela era uma vítima, com a diferença de ter sobrevivido. Seria um fardo que carregaria para sempre.**************************************************************** Acordou sobressaltada. Não passava de um sonho. Um sonho real demais. Um sonho que representava uma vida. O seu campo de batalha era o seu quotidiano e as vítimas as pessoas que amava e magoava mesmo sem querer e sem saber enquanto tentava fazer o que era melhor para todos, não necessariamente o que era melhor para si… Percebeu que às vezes, por medo de errar ou por falta de coragem demoramos tempo demais a agir e que aquilo que por vezes é apenas uma fracção de segundo para nós significa uma vida perdida para alguém.Colocou uma fita negra no pulso por todas as vítimas que perecem nos campos de batalha espalhados pelo mundo. E por si, tantas vezes caída nos campos de batalha alheios… TM vencida numa batalha ganha

Mergulho 2

Deito-me na areia húmida e sinto a água que toca os meus pés. Sinto-me cansada, mais cansada do que alguma vez me senti. Descubro que a leveza que sentia dentro de água, mergulhada na imensidão das memórias, não era mais que uma ilusão. Viver de memórias desgasta-nos mais que estar em terra, recordando e sentindo saudades dos bons momentos e aprendendo com os maus. Estou estranhamente consciente do que me rodeia. O som do mar, os passos longínquos de alguém na areia, o som do vento, o barulho que a vida faz. E apesar de todo o bulício da vida, sinto a paz que me invade, sinto o silêncio da minha alma, pela primeira vez sem conflitos. E sabe tão bem...Apercebo-me que uma vida vivida apenas de memórias não é vivida. Sei que temos de seguir em frente. Viver de memórias é o mesmo que não viver. O meu peito sobe e desce ritmicamente, estou cansada como se tivesse corrido a maratona. Estive quase a deixar-me ir mas encontrei dentro de mim forças para voltar à superfície, para lutar mais um pouco e viver o meu presente. E de súbito tudo parece melhor, de olhos fechados vejo as cores do mundo. Sinto uma gargalhada que imerge de dentro de mim. Deixo-a soltar-se e rio-me sozinha. Rio-me até perder o fôlego, e o riso é a minha terapia. Ainda cansada levanto-me da areia, sacudo os últimos vestígios com as mãos trémulas e apesar de cansada sinto-me mais viva que nunca. Caminho pela areia ouvindo o mar atrás de mim. Sei que estará sempre lá, disponível quando o quiser visitar. Sereno ou revolto conforme o meu estado de espírito ditar. É bom recordar e não esquecer. Mas acima de tudo é bom viver. Ainda com um sorriso nos lábios continuo a andar pela praia. E o dia parece-me mais brilhante, com mais cor. Tento captar cada cheiro, cada som e deixo a vida inundar-me. O que antes me parecia demais, o que antes me oprimia, deixei no mar. De lá trouxe a força das boas recordações e as lições das más. Sigo o meu caminho, passo a passo, sem pressas de viver. Libertei-me. Consegui.Sobrevivi. E agora, só me resta ser feliz. TM Back to the real world

Mergulho

Mergulho.Sinto a paz que me invade a alma e o frio que me desperta o corpo. Sinto-me viva.Sinto-me parte da água e deixo que a água seja parte de mim. Penso em tudo e acabo por não pensar em nada.Estou a reviver o passado. Vivo de memórias e de todos os “e ses” que já passei. O passado fica lá atrás e não nos pode magoar, disse-me uma vez alguém. Mas será que é assim? Acho que não…Os actos do passado atormentam-me o presente e marcam o meu futuro. Mas não quero viver no passado. Porque passo os dias a pensar no que foi e não vivo o presente. Dou por mim e o tempo já passou. O hoje tornou-se ontem e o amanhã já é hoje. E agora? Penso em tudo o que podia ter feito ontem e que não fiz, porque estava a reviver o passado…Não vivo.A vida passa por mim e não a consigo agarrar…O frio da água enrijece-me, desperta-me, mostra-me que é o presente que importa. Se viver no passado vou-me esquecer que no presente tenho de regressar à superfície para respirar. É isso mesmo! As memórias são um vasto oceano onde é bom nadar… mas se nos esquecemos de vir à tona a vida esvai-se sem que a possamos aproveitar. Mais que viver quero sentir-me viva. E estar dentro de água é uma ilusão. Aqui não há barulho e não sinto o peso do mundo nas costas… Aqui consigo suportar tudo. Mas não há vida para mim aqui, não é aqui que eu pertenço. O passado passou e no passado deve ficar…Os meus pulmões ressentem-se da falta de oxigénio. Impulsiono-me para a superfície. A primeira golfada de ar é uma bênção para o meu corpo. Vou para terra e os primeiros passos na areia custam, o mar parece querer puxar-me de novo para dentro. Mas eu não pertenço ao mar… Pertenço à terra. Posso visitá-lo, para me banhar nas suas águas ou simplesmente para o contemplar. Mas agora sei onde pertenço e qual o meu lugar… Viver dia a dia, um de cada vez. Sem esquecer o que aconteceu ontem, sem querer antecipar o que vai acontecer amanhã, mas sem me esquecer de viver o que me está a acontecer hoje… TM swimming in a sea of memories

Em quantas peças se parte um coração 2

Longos anos se passaram desde que o coração se quebrou
A menina que era pequenina, numa linda mulher se tornou
Os olhos continuavam sem a alegria de outrora
Mas a menina-mulher já sabia ser feliz agora
Mesmo com o coração ainda partido e fragilizado
Mesmo sem se conseguir entregar e acreditar nem por um bocado
A menina-mulher continuava a reaprender a viver
Sem perder as esperanças no que um dia lhe iria acontecer
Mesmo apreensiva, ela continuava a sonhar com um príncipe encantado
Que a viesse resgatar da sua alta torre onde viver ser amor era o seu fado
O medo de pensar que poderia ser novamente rejeitada
Fazia com que a menina-mulher não quisesse ser amada
Os seus dias eram vividos na contradição
Entre o desejo se ser amada e o de proteger o seu coração
Os anos continuaram a passar e a menina-mulher vivia só
O seu príncipe não aparecia, seus amigos dela tinha dó
Mas a esperança não abandonava a menina-mulher
A espera servia apenas para a fortalecer.
Mas a menina-mulher depressa envelheceu
E o seu príncipe encantado nunca apareceu
Houve muitos outros que a menina-mulher tentaram amar
Mas o medo de que lhe partissem o coração a fez recuar
Muitos anos mais tarde o menino voltou
O menino agora homem com que a história começou.
E ele viu a menina-mulher sentada sozinha no chão
E sem nada lhe dizer, com carinho lhe estendeu a mão
A menina-mulher em menina pequena se tornou novamente
Aceitou a mão do menino e levantou-se alegremente
Conta quem viu que duas crianças saíram rua fora a correr
Mas que no chão ficou o corpo da menina-mulher, acabada de morrer.
.************* TM

Em quantas peças se parte um coração

Era uma vez uma menina muito inocente
De olhos espertos e expressão de quem não mente.
Essa menina vagueava pela rua
Era um espírito livre, nem minha nem tua
Era uma menina que tudo queria saber
Todas as questões que havia ela tinha de responder
Era uma menina feliz e que gostava de dançar
Uma menina que sorria e que vivia a brincar
Nos seus olhos vivos notávamos a ternura do amor
Era uma menina simples que nunca tinha sentido dor
Houve um dia que um menino apareceu
E a menina o seu coração lhe deu
Juntos brincaram, a sorrir e a cantar
Juntos juraram que nunca se iriam separar.
Mas a felicidade inocente da menina acabou
Num dia em que o calor do sol também findou
E o menino quis devolver à menina o seu coração
Mas a menina não o queria receber e ele caiu ao chão
Ficou ali quebrado no pavimento frio
E a menina chorava e as suas lágrimas formaram um rio.
O rio levou os pedaços do seu coração partido
E nos olhos dela vemos o futuro perdido
A alegria de viver que dantes a caracterizada
Findou-se com a água que passava…
A menina que inocentemente se entregou ao amor
Ficou assim a conhecer o que é a dor.
A menina sem vida o seu coração apanhou
E os pequenos pedaços todos juntou
Em quantos pedaços se partiu ninguém sabe dizer
Apenas se sabe que a menina alegre nunca mais soube ser…
************ TM

Estrada

Corro.Corro sozinha mas não abandonada. Percorro esta estrada e não vejo ninguém. Ouço apenas os meus passos no vazio. Sinto o bater do meu coração no peito. Corro...Esta estrada marca o meu destino, as minhas escolhas. A estrada que é parte da minha vida. Corro sozinha porque assim tem de ser. Por muito que me queiram ajudar e guiar é um caminho que tenho de fazer eu. O meu caminho. Pode ser errado, pode ser sinuoso e difícil, não sei... Só vou saber depois de o percorrer. E se correr mal? Se eu cair? Conto com quem me ama para me ajudar a erguer e seguir em frente, ou até achar outro caminho, depois de ter experimentado este. Não posso continuar sem seguir as minhas escolhas. Senão não seria a minha vida. Se não agir por mim ficarei para sempre a pensar "e se tivesse seguido o meu caminho...". São as minhas escolhas. Correctas ou completamente erradas. É assim tão dificil de entender?Sei que às vezes posso escolher estradas que sei à partida serem erradas mas essas estradas tem de ser percorridas na mesma... Tenho motivos para o fazer, apesar de não os entenderem ou aceitarem. Nesta estrada sou uma guerreira. Dependo de mim e de mais ninguém. Posso ter medo, estar ferida, cansada... mas a guerreira que há em mim arranja sempre forças para dar mais um passo e mais outro e conseguir assim seguir em frente. Continuar a correr. Continuo sozinha mas no coração acompanhada.Pois conto com os meus amigos, com a minha família para me apoiar nesta jornada. às vezes até sem saberem...Corro e continuo o meu caminho nesta estrada para ver onde me vai levar. Haverá outras que me permitam companhia, mas esta jornada é só minha. A minha prova. A minha luta. A minha estrada. Corro sozinha, mas por escolha minha... ** ** Telma Melo, na Estrada da Vida

Estrelas

Estava obsecada pelo Sol e não via que há milhares de outras estrelas no céu. Estrelas que brilham mais na noite escura e que nos acompanham e preenchem as nossas noites. Estrelas que povoam os nossos sonhos e nos ajudam a pensar. As estrelas são cada uma delas um Sol. Parecem menores porque estão longe e não deixamos essas estrelas aproximarem-se de nós. Mas cada uma é especial e cada uma representa um sol privado para cada um de nós. Por vezes estamos cegos e encadeados pelo brilho, pelo explendor, pelo tamanho do Sol. Todos o vêem e poucos não gostam dele...Mas ter uma estrela própria, uma estrela só nossa é bom. Cada pessoa tem o seu sol, a sua estrela algures perdida no firmamento. Só temos de a procurar, acolher e amar. Não nos podemos iludir: o Sol é bem visível mas na verdade não deixa de ser também ele, apenas mais uma estrela no nosso céu. Felizmente agora abri os meus olhos e vejo que cada estrela é única e especial. Agora compreendo que há uma estrela para cada um de nós e que também há uma para mim. Uma estrela que ilumide as minhas noites e que preencha os meus dias como se um sol privado fosse. Inicio assim a minha busca pela estrela que ganhará o meu coração e me fará encontrar o meu lugar no céu... TM a observar o firmamento

sábado, 16 de agosto de 2008

>A dor que doi no meu peito >É a dor do amor imperfeito >É o fogo que não arde >E o gelo que queima >Até que um dia me farte >E acabe com esta teima. >Um mundo inteiro ao meu dispor >Não preciso de me prender a ti >Porque só me trazes a dor >Do amor que eu não vivi... >Abro o coração e digo adeus, >Espero que sejas feliz! >Sei que não serás a luz dos olhos meus... >Mas o Destino assim o quis.
Dói-me o que não deveria doer Dói-me o que não tem cura Dói-me a alma, dói-me o ser Sei que para sempre a dor não dura Aprendo a viver com a dor Aprendo a com ela andar Aprendo a sofrer por amor Sei que um dia aprenderei a amar Esta dor que me preenche a vida Esta dor que me impede de respirar Esta dor que tem de ser sentida Para crescer e poder voar No fundo do meu ser sinto No fundo do meu ser mora No fundo do meu ser faminto Está um coração que te adora E sofro por sentir a dor E sofro porque sei que não me queres E sofro porque no fim o teu amor Não é para mim mas para outras mulheres
Estava obsecada pelo Sol e não via que há milhares de outras estrelas no céu. Estrelas que brilham mais na noite escura e que nos acompanham e preenchem as nossas noites. Estrelas que povoam os nossos sonhos e nos ajudam a pensar. As estrelas são cada uma delas um Sol. Parecem menores porque estão longe e não deixamos essas estrelas aproximarem-se de nós. Mas cada uma é especial e cada uma representa um sol privado para cada um de nós. Por vezes estamos cegos e encadeados pelo brilho, pelo explendor, pelo tamanho do Sol. Todos o vêem e poucos não gostam dele...Mas ter uma estrela própria, uma estrela só nossa é bom. Cada pessoa tem o seu sol, a sua estrela algures perdida no firmamento. Só temos de a procurar, acolher e amar. Não nos podemos iludir: o Sol é bem visível mas na verdade não deixa de ser também ele, apenas mais uma estrela no nosso céu. Felizmente agora abri os meus olhos e vejo que cada estrela é única e especial. Agora compreendo que há uma estrela para cada um de nós e que também há uma para mim. Uma estrela que ilumide as minhas noites e que preencha os meus dias como se um sol privado fosse. Inicio assim a minha busca pela estrela que ganhará o meu coração e me fará encontrar o meu lugar no céu...

Praia

terça-feira, 1 de julho de 2008

Para ti

Sinto uma alegria que invade o meu peito. Tal como bela adormecida despertei com o teu beijo. Quente e doce. Mais doce que o mel. Sinto como abraças a minha alma em chamas Um sentimento mais forte que todas as intempéries do mundo Suave mas forte. Mais suave que uma brisa. Sinto o amor que habita o nosso leito. Os nossos corpos juntos realizando o desejo. Como se vida fosse. Vida em papel. Sinto como me agarras e me amas. Como me preenches e te entregas, o que está até no teu fundo. Real e presente. Tudo o que a minha vida precisa. Dedicado ao meu "papi" que me tem dado mto apoio nos últimos tempos e que assiste de perto ao meu "renascer"

TM 01/07/2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Quem sou eu

Quem sou eu na tua vida? Diz-me… Sê sincero. Não me deixes perdida Sou amante? Sou mulher? Serei apenas a amiga colorida, Ou usas-me a teu bem prazer? Preciso de me definir… Aliás preciso que te definas! Não posso continuar a ir Não consigo dar mais de mim Sem nada, nem um carinho receber Consegue entender? Preciso de mais, quero mais… Quero-te a ti mas quero que me queiras também Este sentimento chegou sem avisar Quero-te como nunca quis ninguém Mas quero saber se me podes amar… Quem sou eu na tua vida? O que represento para ti? TM 06/06/2008

sábado, 31 de maio de 2008

De costas voltadas

Primeira discussão. Sem motivo aparente, eu estou mais sensível, ele menos compreensivo. Uma brincadeira mal interpretada e está tudo desfeito. Parece que falamos línguas diferentes porque estamos ambos a dizer o mesmo e não nos compreendemos. Não chegamos a um consenso. Caem as primeiras lágrimas dos meus olhos, as lágrimas que tanto quis evitar… A frieza de cada palavra atinge-me de forma mais letal que chumbo. Dou-me por vencida e vou para a cama. Choro até adormecer, a almofada húmida com a minha dor. Sou uma parva, sei que é uma simples discussão mas afecta-me mais que de outras vezes, que em outras discussões quem sabe até mais graves. Nunca pensei um dia partilhar a cama com alguém como ele… Ele é tão perfeito para mim e eu sinto que não sou o que ele precisa. Ele pensa o contrário… Considera-me melhor do que realmente sou, vê em mim uma mulher com atractivos e virtudes, uma mulher com força e garra… Mas é ilusão dos seus olhos apaixonados. Nunca o quis magoar, nunca quis que ele me magoasse a mim. Mas na ânsia de fazer o que é correcto, de fazer o bem, acabamos sempre por nos atrapalhar e magoar quem mais amamos. No promises, no commitment. Esta e a chave da nossa relação. Deixamo-nos livres mutuamente, enquanto houver sentimento vamos continuar juntos. Tenho um sono agitado. Sonho que te quero alcançar e não consigo, escapas-me por entre os dedos. Sinto-me cair num precipício sem fim e acordo sobressaltada. O meu coração bate a uma velocidade incrível e quase me sinto nauseada. Será um prenúncio do que está para vir? Não quero acreditar nisso, nem quero pensar nessa possibilidade. Sempre soube que podia acontecer e que estava tudo contra nós… Mas acabei por me envolver demasiado. Ouço-te a apagar as luzes da sala, ouço os teus passos em direcção ao quarto. Permaneço imóvel no meu lugar, não sei se quero que saibas que ainda estou acordada ou se devo fingir que durmo… Não te quero mentir, mas não quero admitir que estou a sofrer. Entras no quarto e despes-te às escuras. Deitas-te na cama mesmo a meu lado, mas hoje não me abraças como nas outras noites, hoje não me beijas suavemente nem me tocas, não aconchegas o lençol a mim nem confirmas que já durmo. Sinto que os meus olhos ardem de novo, mas não vou chorar mais. Estamos de costas voltadas e é a pior sensação do mundo. Não quero dormir contigo magoada e receosa do que o futuro nos reserva! Acendo a luz e sento-me na cama. Ergues-te também e vejo que os teus olhos estão tão vermelhos como os meus devem estar. Vejo as mesmas dúvidas e a mesma dor na tua expressão. O que dizer quando as palavras nos abandonam? Deixei o silêncio falar, e no silêncio do nosso olhar finalmente conseguimos comunicar. Os nossos corações são o melhor tradutor e conseguimos, com aquele olhar ver que afinal estamos juntos e não um contra o outro. Tudo no silêncio de um olhar… Abres os braços e refugio-me neles, o teu odor invade-me e sinto a textura do teu peito contra o meu rosto. Abraças-me com tanta força que chega a doer mas neste momento quero sentir-te. Quero que me abraces e não voltes a largar. Suspiras e sinto que estás tão aliviado quanto eu… beijas-me e deitamo-nos os dois para dormir abraçados com a certeza que tudo se vai resolver… Enquanto cada bom momento compensar os maus que passamos, enquanto o sentimento que nos une for forte o suficiente… Para alguém especial... TM 30/05/2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Banho inocente, experiência caliente

Tão estranho é o ser humano… Passei anos em que dormi só mas agora que partilho contigo a cama e a vida, parece que consigo apenas descansar quando te deitas junto a mim. Sei que trabalhas demais mas mesmo assim tens sempre tempo para mim. A verdade é que me mimas, mas gosto quando o fazes. Preocupas-te comigo, queres o melhor para mim. Dás-me o que homem nenhum alguma vez me deu… Mas também nunca conheci outro como tu. Hoje não despertei com a chuva… Despertei quando entraste no quarto. Reparo como entras sem acender as luzes para não me incomodares, despes-te em silêncio e deitas-te a meu lado. Abraças-me e beijas-me suavemente sempre com cuidado para não me perturbares. Tal como eu sei que trabalhas longas horas durante a noite, também tu sabes que acordo cedo de manhã. Passados poucos segundos a tua respiração está mais lenta e profunda. Adormeceste. Desligo o despertador, agora quem não te quer incomodar sou eu. Fico largos minutos a observar-te: observo os teus traços, o jeito do teu cabelo na almofada, a tua expressão inocente. Não acredito que te encontrei e que estás comigo. Observo as horas. Tenho de ir trabalhar. Queria estar aqui contigo e ver-te despertar mas não posso, hoje não. Levanto-me lentamente, pego na roupa e vou para a casa de banho. Penso fazer tudo lá para não te acordar. Abro a água quente que enche a divisão de vapor. Dispo o pijama e entro na banheira. A água quente relaxa-me os músculos. Fico sob o jacto de água alheia a tudo o que se passa à minha volta. De repente sinto umas mãos na minha cintura. Assusto-me com o toque, não o esperava, mas sinto depois a tua respiração no meu pescoço e relaxo outra vez. Viras-me para ti e vejo os teus olhos. Sorris. Beijas-me e transportas-me para aquele lugar onde apenas nós podemos ir, o nosso reino. Sorrimos como duas crianças. Exploramo-nos mutuamente. É algo novo. Não que tenhamos um relação monótona (longe disso!) mas é a primeira vez que me surpreendes no banho. Lavas o meu corpo com mãos mestras e eu lavo o teu. Inconscientemente evitamos os locais que sabemos que nos levaram mais rapidamente ao êxtase. Tentamos dar o máximo, apesar de o tempo ser pouco. E por muito estranho que possa parecer, a verdade é que me sinto melhor que se tivesse sido um ataque óbvio aos nossos sentidos. Beijas-me outra vez e novamente fico com a sensação que encaixamos perfeitamente. Sabes o que eu gosto sem mo teres de perguntar e eu sei o que queres sem que tu o digas. Mas como tudo também esta suave tortura tem de terminar. Não de forma explosiva (quase violenta) de outras vezes, mas de forma suave, em constantes ondas de prazer. Um suave gemido escapa da tua garganta e abraças-me com força. “Bom dia” dizes em tom de brincadeira. Terminamos o nosso banho e saímos da banheira. Ficas junto a mim enquanto me visto e me preparo e segues-me até à cozinha onde pego numa peça de fruta para ir trabalhar. Levas-me à porta, beijas-me, desejas-me um bom dia e ficas a ver-me partir. E eu fico o resto do dia com um sorriso nos lábios, porque tu me fazes feliz. E desde que estou contigo estou sempre feliz… TM escrito a 26/05/2008

Chuva

Hoje acordei ao som da chuva. Que sensação maravilhosa. Fui despertando lentamente, sentido os sons à minha volta, tomando consciência de tudo o que me rodeava. Serenidade. Não deve haver som mais maravilhoso que o cair das gotas nas folhas das árvores, na terra sequiosa, nos chapéus das pessoas que se atarefam logo pela manhã, nos vidros das janelas. Abro os olhos e vejo na semi-obscuridade que apesar da chuva há luz. Não é um dia feio. É um dia perfeito, tal como foi o meu despertar. Perfeito. Sinto o teu braço à volta da minha cintura e sinto como me apertas mais junto a ti. A tua respiração é lenta e suave e acaricia-me o pescoço. “Acordei-te?” perguntas estremunhado. Deves ter-te deitado tarde, não te senti chegar à cama. “Não… Foi a chuva. Dorme” Entrelaço os dedos nas tuas mãos e deixo-me ficar mais cinco minutos na cama. Devia levantar-me já e fazer a minha rotina… Chove e devo apanhar trânsito mas estou tão bem junto a ti a ouvir a chuva cair… Perfeito. Mais cinco minutos e decido que tenho de me levantar. Desligo o despertador que nem chegou a tocar e tento levantar-me sem te incomodar. Quero que descanses e durmas bem. Mas tu voltas a estreitar o abraço, e puxas-me para ti outra vez. “Fica” A palavra apenas sussurrada e sinto vontade de ceder e ficar contigo na cama a ouvir a chuva. “Só mais cinco minutos” Ele sabe que não posso, eu sei que não posso. Viro-me para ele e beijo-o suavemente. Tem os lábios mornos e está quase adormecido. “Até logo” Nunca me custou tanto sair da cama. Uma manhã perfeita, com chuva e alguém especial ao meu lado. Perfeito. Mas sei que quando se tem alguém assim, não há um momento perfeito. São todos perfeitos, todos especiais, em todos há uma sintonia fora do normal. Connosco é assim, encaixamos um no outro sem esforço, estamos juntos porque queremos sem obrigação nem exigências. Perfeito. Tão perfeito como um dia de chuva com luz. Simplesmente perfeito. Saio de casa alegre, com uma alegria quase infantil, uma alegria que me aquece o coração.Finalmente a minha vida ganhou rumo. Finalmente sou feliz. Finalmente a chuva que me molha não me mata, apenas me confirma que estou viva. TM escrito a 27/05/2008 09h41

segunda-feira, 26 de maio de 2008

One night stand

Despertou do sono com uma sensação agradável por todo o corpo. Sentia-se relaxada e alegre embora não soubesse bem porquê. Já estava desperta mas o seu cérebro ainda não funcionava a 100% e mantinha os olhos fechados enquanto ia identificando os sons da sua casa. Bastaram-lhe poucos segundos para se aperceber que não estava na sua casa. Mas se não estava em casa onde estava? Fez um esforço de memória para recordar o que tinha feito na noite anterior mas antes sequer de se conseguir lembrar qual o dia da semana um movimento ao seu lado fê-la dar um pulo. Abriu os olhos e olhou para o homem que dormir serenamente a seu lado... Ricardo! Como era possível? O Ricardo era o seu melhor amigo. Não podia estar na cama com ele... Espreitou por baixo dos lençóis e comprovou que estavam ambos nus. O que se tinha passado? Esforçou-se ao máximo para recordar o que tinha feito na noite anterior... Tinha saído do emprego e tinha ido para casa. Tudo normal até essa altura. Tinha recebido uma chamada das suas amigas a desafiá-la para ir sair já que no dia seguinte não trabalhava. Ela tinha aceite, tinha tomado banho e vestido um conjunto novo de saia e casaco cinzento e um top semi-transparente que adquirira no dia anterior. Fora ter com as suas amigas e encontrara Ricardo. Falara, riram, dançaram... Tinham bebido muito e a certa altura beijaram-se na pista. Oh meu Deus... Ela tinha beijado o seu melhor amigo! Tinham ido para casa dele. E o que tinha acontecido depois ainda a fazia corar. Tinham tido uma noite espectacular. Uma noite sem preconceitos, sem tabus, sem reservas. Uma noite com a qual qualquer mulher sonha. Tinha sido amada como nunca ninguém a tinha amado. Tinha pedido e tinha entregue. Dissera o que queria e como queria. Que vergonha... E logo com o seu melhor amigo... Como ficaria agora a relação deles? Sim, porque nunca pensara em Ricardo como namorado! Nem sequer como homem! Era um ser assexuado com quem nunca poderia ter tido uma experiência assim! Como lhe ia contar os seus problemas agora? Como iam manter aquela cumplicidade característica de amigos que não têm qualquer tipo de intenção sexual... Tinha estragado tudo. Tinha perdido um amigo e tudo por causa de uma noite de sexo. E se ele sentisse algo mais por ela? Não, isso seria azar demais. E agora? Esperava que ele acordasse? Acordava-o? Saía sem ele acordar? Desaparecer a meio da noite era muito mau... Mas o que não era mau naquela situação? Tinham errado os dois. Tinham bebido demais e feito algo sem pensar nas consequências. Passou as mãos pelo cabelo e levantou o rosto em direcção ao tecto de olhos fechados tentando perceber o que seria correcto fazer. “Está assim tão arrependida?” A voz de Ricardo apesar de ser familiar assustou-a... Pensava que ele estaria a dormir profundamente e que só acordaria de manhã! “Não devíamos ter feito isto, Ricardo... Foi um erro” Abriu os olhos e viu como ele se erguia na cama “Colocámos em risco a nossa amizade por uma noite de sexo... Será que uma única noite é assim tão valiosa? Não me parece...” “Tens razão, claro... Foi um erro.” Levantou-se sem olhar para ele e vestiu-se no escuro, embora consciente que ele a observava. Vestiu a roupa interior, o top e a saia. Procurou e calçou os sapatos de salto, pegou na mala e no casaco e caminhou até à porta do quarto. Virou-se para a cama e distinguia apenas a silhueta dele, o brilho do cigarro que tinha aceso entretanto e os seus olhos. Abriu e fechou várias vezes a boca sem saber o que dizer... Acabou por sair do quarto sem dizer nada e sem voltar a olhar para trás. Estava apenas consciente que tinha perdido um amigo por uma noite de sexo... E que seria um erro com o qual iria ter de viver pelo resto dos seus dias... TM 26/05/2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Chega

Chega! Estou farta! Farta e tudo e farta de nada. Estou farta de me esforçar e não receber sequer um agradecimento. Farta de dar tudo de mim e de não ver qualquer resultado. Farta de ver quem não faz ser protegido, recompensado, até amado... mas eu não. Fartei-me... Não quero mais sofrer por quem não merece. Não quero mesmo! Recuso-me a dar a outra face outra vez! Passei anos a fazer o mesmo. Todos os dias me esforçava mais um pouco. Possivelmente não tinha reconhecimento algum porque era eu quem não tentava o suficiente! Finalmente percebi... Finalmente acordei! O problema não está em mim... Há quem veja o meu valor, então porque não o conseguem vocês ver? Não entendo. Estou farta de ser culpada sem ter culpa nenhuma. Querem assim? Então assim vão ter. Estou farta. E mais não posso fazer. Sinto-me cansada. Chega. Não quero mais. Recuso-me a voltar a esforçar-me por quem não merece o meu esforço. Pode ser que quando me quiserem e não tiverem, notem a minha ausência. Mas aí... será já tarde demais. Posso não ser o que sonharam mas sou o que têm. Não vos agrada? Azar! Uma coisa juro: Não vou voltar a ficar assim por vocês. Acabou. Chega! TM 19/05/2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Dor

Como algo corriqueiro se transforma num martírio? Se pudéssemos adivinhar... Saí de casa para levar o meu carro à oficina do meu tio. Uma vez por ano, todos os anos, lá vou eu pedir o mesmo favor. Este devia ter sido um dia como qualquer outro... Chegar lá, entregar as chaves e os documentos, pedir para ele ver o nível de óleo e combinar as horas para no dia seguinte o ir buscar. Mas este ano não. Cheguei lá e vi logo... a mota branca reluzente, nova, imaculada... a mota que já roubou uma vida. Penso em falar depressa e sair dali! Só a visão daquela mota me faz mal. Tenho a visão turva, não consigo respirar. O meu tio pega-me pelo braço e leva-me até à mota... Sabe que sempre gostei de motas, sabe que gostava de a poder conduzir... “Olha a mota do teu primo” diz baixinho... Enquanto olho a mota lembro-me de uma manhã, há tantos meses. Sinto o cemitério, a dor, as lágrimas, o desespero... tudo volta. Lembro-me da notícia, do choque, de tudo o que pensei antes. Olho fixamente a mota mas é um rosto que vejo... O som da ignição da mota retira-me da letargia das lembranças. Deixo de respirar... relembro a homenagem dos amigos... outras ignições, outras motas, rateres que ainda hoje me arrepiam... Os olhos ardem-me com as lágrimas não derramadas. Apresso-me a despedir, dou um abraço forte ao meu tio. O cheiro a óleo misturado com um suave odor agridoce que me lembra dele invade-me. Saio para a rua molhada, sinto as gotas da chuva que me vão encharcando... Cada gota é uma lágrima que não chorei, cada lágrima que as nuvens deitam diminui um pouco o aperto que sinto no meu peito. Sinto-me exausta. Revivi tudo em poucos segundos e não gostei, revivi o que queria esquecer, o que não queria que tivesse acontecido... A efemeridade da vida surpreende-me cada vez mais... E dói ser uma mera espectadora que não pode alterar o desenrolar da peça da vida... Deus só chama para junto de si antes do tempo os mais belos anjos... TM 15/05/2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Espero

Mordo o lábio enquanto observo o ecrã fixamente. Espero pacientemente que a janela ganhe vida e pisque em sinal da tua resposta. Sinto a excitação crescente da troca de palavras dúbias e cheias de significados escondidos. Aguardo o próximo comentário e sei que tenho de escolher cuidadosamente cada palavra… Não quero que tudo termine antes de começar. Afasto os olhos da janela de conversação… talvez se me distrair o tempo passe mais depressa. Será? Finalmente ganha vida. Vejo como fica vermelha e parece incandescer. Sorrio ao ver a tua resposta e penso na forma ideal de a rebater. Sentirás o mesmo que eu? Também estarás na dúvida ou será algo que fazes corriqueiramente? A mim confunde-me. Nunca fui assim. Nunca dei atenção a alguém que os meus olhos não vêem. Porquê agora? Sempre fui a menina racional que não age sem pensar. Fazes de mim uma menina má… a menina de lábios carmim. Há meses que me fazia falta isto! Alguém que me desafiasse o intelecto! Que me fizesse sorrir e perceber o que faz falta na minha vida. Alguém que inconscientemente me desperta da apatia em que me encontrava. Não me interpretes mal! Gosto do que temos tal como está. Gosto de rir e pensar contigo. Gosto de falar e de expor os meus medos sem medo que me venhas a magoar. Gosto. E espero que gostes também. (no comments on this!) TM 09/05/2008

(sem título)

Sinto como os quilómetros serem devorados pelo carro. Cada segundo me leva para mais próximo de ti. Acelero mais um pouco. Quero chegar rapidamente ao meu destino. Quero ver-te outra vez. Sentir-te junto a mim. Abraçar-te e beijar-te e provar-te que me fazes feliz. Sorrio. Recordo tudo o que de bom já aconteceu entre nós. Todos os sorrisos e lágrimas, gargalhadas e momentos de pura compreensão. Sou uma sortuda! Encontrei o homem perfeito para mim. Tu, só tu e mais ninguém. Lembro-me de como fomos para a praia na noite do nosso casamento. Como corremos e rimos ainda vestidos a rigor e brincamos como crianças. Sinto outra vez a suave carícia do vento na minha pele, vejo o brilho dos teus olhos e sinto o frio do mar nos meus pés descalços. O mar não me refresca desta vez… magoa-me. E conforme me toca sinto-me elevar para outra dimensão. E a dor acaba. Ouço vozes longínquas que gritam palavras incompreensíveis. Sinto medo. Porque não consigo abrir os olhos? Frio. Vazio. Medo. Pânico. O que se passa? Finalmente abro os olhos e observo a cena. É o meu carro… Porque não estou lá? Passam pessoas por mim mas não me tocam. Tento falar mas a voz não sai da minha garganta. O que se passa? Respiro fundo e tento acalmar-me. Observo melhor a cena. O carro deita fumo, está na estrada que ainda há uns segundos percorria. O vidro da frente está estilhaçado. Terei tido um acidente? Aproximo-me e vejo os bombeiros que estão atarefados em volta do carro. Se eu estou cá fora que querem eles lá de dentro? Indigno-me com a falta de atenção que me dão. Afinal se tive um acidente deveria no mínimo estar a ser assistida, não? Sem me aperceber já estou em frente ao carro. Mas ainda agora estava na parte de trás. Ainda estou desorientada. Olho para dentro do carro mas um espelho bloqueia-me a visão. Espera… Não é um espelho. Sou eu… eu? Não pode ser! Como é possível? Morta… Sinto-me elevar novamente. Estou em casa. Ele está sentado no sofá. Espera ainda por mim. Não sabe… olha para o relógio… Aguarda-me a qualquer instante. Tem saudades minhas e não passamos mais de 4 horas afastados. Dou dois passos e estou ao lado dele. Beijo-o mas não o sinto. Ele estremece. “Amo-te” Ele levanta a cabeça. Será que me ouviu? Ouviu-me o seu coração… Sei que sim. Pega no telemóvel e marca o meu número mas não faz a chamada. Sabe que não atendo enquanto conduzo. Respira fundo e volta a sentar-se. Pensa que foi apenas um simples arrepio. Não sabe o que aconteceu. Queria poder falar contigo uma última vez e dizer-te que lamento… Não devia ter acelerado, não devia ter sequer saído! Perdoa-me. E promete-me que serás feliz! Promete-me que não vais desistir da vida e que vais realizar todos os nossos sonhos… Promete-me que vais voltar a amar alguém. Eu sei que sim. Vejo uma luz que me dá calor e me envolve. Vou partir. Adeus.
TM 09/05/2008

domingo, 4 de maio de 2008

Recordações...

Recordo o que queria esquecer e que esquecer não consigo. Sinto o mal, o fel que me corrói por dentro como se ontem tivesse sido... Sinto um vazio, mas um vazio que me preenche... Recordo o mau que se torna cada vez pior a cada recordação... Magoaste-me com palavras que nunca pensei ouvir... Insultas-me... fazes-me sentir que não sou mulher... Odeio-te por isso. Odeio-me por me deixar afectar. Mas sei que as palavras proferidas foram ditas no calor da peleja... Isso não as desculpa aliás só torna tudo mal vil, pior... Usas o meu maior medo para me atingir... E eu parva deixo-me invadir pelo desespero! Deixo de acreditar que há esperanças e que o futuro não tem de ser negro... Vou conseguir superar e dar a alguém o que não quiseste para ti. O meu amor! Esquece que existo, esquece que algum dia me conheceste, esquece... Recordo o que queria esquecer e que esquecer não consigo... Mas vou trancá-lo na minha mente e esquecer onde coloco a chave para não mais o voltar a sentir... TM 04/05/2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Cavaleiro

Espreito por entre as madeixas de cabelo molhado. Perco-me na escuridão da noite. Todos me vêem mas ninguém olha para mim. Estou perdida, ferida, molhada, ignorada... Não sou ninguém no mundo. Não sou o mundo de ninguém. De repente vejo uma mão que se estende na minha direcção. Com essa mão vem uma promessa de luz, calor, vida... Despertas-me com um toque e o frio desaparece. Cavaleiro de capa e espada, armadura reluzente. Iluminas tudo a tua passagem. Ajudas-me a erguer. Com a tua capa tapas-me e levas-me para o teu mundo. Um mundo onde reina a serenidade. Um mundo onde posso ser rainha, se a tua mão quiser aceitar. O que arrisco? Não tenho nada e tu ofereces-me o mundo. Atrevo-me a aceitar? Confio no que me mostras? Deixo-me envolver pelo teu calor. Olhas para o céu e como se magia fosse as nuvens desaparecem. A chuva pára e a lua brilha no céu como prata. Sinto como me abraças e como tudo parece mudar. Os nossos corpos transformam-se, somos dois mas somos um. Voamos de mãos dadas em direcção ao horizonte. Cavaleiro e Senhora em busca de eterna gloria. TM 01/05/2008

domingo, 27 de abril de 2008

Sou uma ilha no meio do nada

Sou uma ilha no meio do nada
Sou perdida e nunca encontrada
Ilha deserta que ninguem descobriu
Ilha pequena que ninguem nunca viu
Sou o começo e sou o final
Sou o que sou mesmo o que está mal
Sou a menina e sou a mulher
Sou a santa e a que pecados tiver
Tenho o tempo que o mundo me dá
Tenho a fama boa e também a que é má
Sei o que pensam e o que de mim dizem
Sei o que me mostram e o que nao fingem
Sou uma mulher perdida
Com uma vida meio vivida
Sou a menina encontrada
por todos vista e por ninguem amada
Sou uma ilha perdida no espaço
Todos me olham sem saberem o que faço
Sou a que amam sem saber
Sou a que odeiam sem querer
Estou perdida no meio do mar
Estou à espera de quem me venha amar
Espero por ti até um dia morrer
Espero por ti mesmo que esteja a sofrer
Sou uma ilha no meio do nada
Sou um nada no meio da ilha
TM 27/04/2008

sábado, 26 de abril de 2008

Não sei o que sinto... Não sei se és ou não quem eu preciso e quero para mim. Não sei. Sei apenas que ver-te é mais do que preciso. Basta-me ouvir falar em ti para me sentir bem... Um olhar apenas faz-me vibrar! Não sou correspondida, sei disso, sei que o que sinto é uma tolice de criança. Como posso gostar de alguém assim? Sinto-me uma adolescente... Sinto-me tola, parva, sem chão. Sinto que não sinto, sinto o que não sei. Não sei o que sinto... Corro para ti mas parece que não te alcanço, apenas quero poder sentir o teu toque, o teu cheiro... Quero poder estar contigo. Mas sei que é impossível! Como é possível? Confusão. Caos. Ilusão. Tudo habita o meu peito. Tudo me faz sonhar, imaginar, iludir-me para depois cair da fria realidade. Não sei o que sinto. Amo-te, não te amo... Quero-te, não te quero... Sinto-te, não te sinto... Sinto que não sinto, sinto o que não sei... Não sei o que sinto.
Está confuso mas é exactamente como me sinto...
TM 26/04/2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A cama está fria - Terceira Parte

Passaram três semanas desde que pisei a última vez esta casa. Da última vez que cá entrei foi apenas para vir buscar uma mala com roupa. Desde que saí que estou em casa dos meus pais... mais uma vez em casa dos meus pais. Tive de explicar porque voltei de forma tão abrupta para casa. Como se explica aos pais que nos apaixonamos por alguém que não nos merece? E que nos queria tornar na outra? Pois... Não se explica. Na primeira noite dormi em casa de uma amiga que me acolheu sem perguntas. Depois fui buscar a minha roupa e voltei para casa... Não falei com os meus pais nem com o meu irmão... eles perceberam que precisava de tempo... E ainda não me fizeram perguntas... Mas já os ouvi a falar, e vejo nos seus olhos... Eles percebem que algo não está bem. Voltei agora... três semanas depois para vir buscar as minhas coisas e mudar-me definitivamente para casa dos meus pais. Estou cansada. Saio às 6h de casa para poder chegar ao trabalho a horas. E chego quase às 22h a casa... Mas prefiro isso a voltar a entrar a dar de caras com o Tiago... Não sei o que farei quando o encontrar... Cada vez que penso nele sinto o sangue ferver nas minhas veias! Só penso que raio de amor era aquele, afinal só me “queria”... Mas oficializar não. Para quê? Tinha tudo o que queria sem ter chatisses. Sei bem que eu tivesse cedido ia ser enrolada e ludibriada... Não estou para isso. Abri a porta com alguma apreensão mas depois respirei fundo e sorri... a esta hora ele está no trabalho. Entrei sem qualquer receio. Fechei a porta e dirigi-me directamente ao meu quarto. Conforme lá entrei dei de caras com o Tiago sentado na minha cama... Pareceu-me que nem três minutos tinham passado quanto mais três semanas! Tinha a toalha na mão, os olhos vermelhos e a barba por fazer. Fez-me impressão... Eu não estava bem mas de qualquer das formas estava apresentável. Guardava as minhas lágrimas para a minha melhor confidente: a minha almofada. Não soube o que dizer, nem o que fazer... Ele pareceu-me tão vulnerável. Mas sei que não posso ser fraca agora. Senão vou ceder. “Vim buscar as minhas coisas” digo evitando olhar nos olhos de Tiago. Tem uns olhos castanhos nos quais me posso perder... E eu não quero, não posso... não devo. Ele não diz nada. Apenas olha para mim. Deve pensar que eu sou uma cobarde para nem sequer o olhar nos olhos. Vou até ao escritório onde sei haver caixotes vazios. Pego em alguns na esperança que ele tenha saído do quarto. Quando regresso ao quarto ele ainda lá está, imóvel, com os olhos fixos como se eu não tivesse saído do mesmo lugar. Tento ignorar e começo a colocar o resto das minhas roupas e objectos pessoais indiscriminadamente nas caixas. “Ela está grávida” a voz não é mais que um sussurro. “E tenho de me casar com ela” a voz é inexpressiva. Parece-me que ele nem me vê. Está apenas a desabafar toda a dor que tem no peito. Tenho pena dele, e arrependo-me porque sei que a pena é o pior sentimento que alguém pode ter. Tento ignorar as palavras mas cada uma delas me atinge no mais íntimo do meu ser como lâminas que me dilaceram lentamente por dentro. Compromisso, gravidez e agora casamento... O que restava do meu coração desfragmenta-se. Continuo a encaixotar mecanicamente os meus pertences. “A família dela é tradicional e não querem um bastardo na família” Um sorriso irónico que longe de lhe alegrar a cara cada vez a deixa mais desumana, surreal. Tento bloquear a sua voz, tento esquecer este homem que tanto amo, tento esquecer tudo... Não posso permitir que isto me atinja, não posso! Tiago continua durante todo o tempo que lá estou a falar... Fala para ninguém, pois acho sinceramente que ele não me vê. Fala para purgar a dor que tem no peito, sem se aperceber que está na realidade a transferir a dor dele para mim. Porque vim hoje cá? Oh Deus, porquê? Apresso-me a arrumar tudo mas quanto mais depressa quero trabalhar mais me parece que as mãos estão trôpegas e sem conseguir pegar nas coisas. Deixo cair roupa, não consigo inserir os objectos nas caixas, encho-as de tal maneira que não as consigo fechar. Tudo na ânsia de sair dali o mais depressa possível! Ainda pensei voltar noutro dia mas de que serviria? Afinal já ouvi... Finalmente termino! Empilho as caixas e carrego-as à vez para a porta. Fecho-a sem olhar para trás e sem dizer nada. O Tiago continua a falar, sozinho, para o nada. É a última imagem com que fico dele. *** A carta é anunciada pela voz estridente da minha mãe antes do pequeno-almoço. Finalmente encontrei outro emprego mais perto e por isso evito tantas horas ao volante todos os dias. Pouso a torrada de sobrolho franzido enquanto vejo a minha mãe abrir o envelope. “É do Tiaguinho! Que será feito desse moço? Não tens sabido nada dele Leonor?” Grunho qualquer coisa e mordisco a torrada para evitar responder. O meu irmão olha de lado para mim. Apesar de ter casa própria passa mais tempo cá que lá. O emprego trouxe-o de volta a casa e para não conduzir quando sai mais tarde prefere ficar por cá a dormir. “Uma carta? Mas aquele homem regrediu no tempo? Nunca ouviu falar de telemóvel nem de e-mail?” O meu irmão levanta-se da mesa e coloca a chávena de café no lava loiças. “O que é que esse caramelo quer, mãe?” “Ai meu Deus que é um convite de casamento! O Tiago vai casar no verão, e está a convidar a família toda!” “Eu não posso” as palavras atropelam-se pela boca fora. “Não posso ir” “Como sabes? Ainda nem te disse a data e além do mais não trabalhas aos sábados. Vai a família toda claro! Afinal o Tiago é como se fosse um membro da família” A sentença está lida. Tenho de ir, a menos que revele a todos o porquê de não querer. E prefiro morrer a dizer que amo alguém que não merece. *** Chega finalmente o fatídico dia. O sol aquece-me por fora e apesar de saber que estou perfeita por fora por dentro estou nervosa, magoada. Sinto-me uma mártir que se entrega à tortura. Cheguei para assistir ao triunfo do meu inimigo. A leve brisa brinca com o tecido do meu vestido. Uso um vestido mais recatado propositadamente. Não quero que me acusem de nada. Dei uma desculpa que me permitiu não assistir a recepção em casa do noivo. Uma pequena mentira sobre um projecto que tinha de entregar sem falta no trabalho exactamente à hora da recepção e que lhe iria ocupar algumas horas foi a desculpa perfeita. Chegou à Igreja ao mesmo tempo que os convidados da noiva e perdeu-se na multidão. Ficou num canto na semi-obscuridade e observou a cerimónia toda em silêncio. Viu a barriga que a noiva exibia orgulhosamente e o olhar apático de Tiago, que parecia preferir estar bem longe dali. Um sentimento de ódio fez com que um sorriso lhe aflorasse nos lábios... Ele merecia tudo o que estava a sofrer. Tinha enganado a noiva sabe Deus quantas vezes... Com ela duas mas quantas mais! Quando acabaram os votos matrimoniais saiu da igreja para evitar o rebuliço que se seguiria e as lágrimas de ocasião. Fazia-lhe mal ver as lágrimas forçadas e os lenços... tudo esquematizado, porque tinha de ser assim. Estava abrigada debaixo de uma árvore quando os pais a encontraram. Explicou que chegou mais tarde e que por isso ficou no fundo da capela para não incomodar. Os meus pais queriam ir cumprimenta-lo mas a mim só me apetecia ir para casa. Finalmente chegou a altura. A minha mãe, firmemente de braço dado ao meu pai encaminhou-se aos noivos, depois de nos dizer com o olhar que os seguíssemos. O meu irmão pegou na minha mão e lá fomos, para a confusão de abraços, beijos e felicitações. Sorria com vontade de chorar, apertava a mão do meu irmão como se fosse o meu porto de abrigo. Queria fugir, começar a correr e não parar mais. Sair dali rapidamente. Não me preocupar com as convenções e o politicamente correcto. Correr. Apenas isso. Seguiu-se um chorrilho de felicitações que ninguém sentia de facto “Felicidades! Espero que sejam muito felizes! Já mereciam!” coisas que se dizem e não se sentem. E por algum motivo essas futilidades não me saíam. Conforme o Tiago me viu foi como se alguém lhe tivesse batido. “Que fazes aqui”, perguntou em surdina enquanto me beijava no rosto. “Convidaste-me”, respondi no mesmo tom passando à noiva. As restantes horas foram um misto de dor e sofrimento. Evitava olhar para a mesa dos noivos e arrepiava-me de cada vez que ouvia o tilintar dos talheres nos copos. Horas e horas em que não vi mais que o meu prato. Nem ouvia os comentários dos meus pais... Apenas sentia os olhares deles cravados em mim. Sentia a preocupação do meu irmão e a desaprovação dos meus pais. E assim se passou todo o processo de fotos e o almoço. Mas o pior da tarde estava ainda para vir. Com o fim do almoço abriu-se a pista de dança e antes que me desse conta estava na pista a dançar primeiro com o meu irmão e depois com o meu pai. Depois dancei com vários rapazes que nem conhecia... e numa das trocas acabei em frente ao Tiago. Ficamos a olhar um para o outro. Sei que foram apenas milésimas de segundo mas pareceram-me intermináveis minutos. E depois ele abraçou-me... Senti-o suspirar contra mim, como se nos meus braços encontrasse finalmente o que de facto precisava. Roçou imperceptivelmente a cara no meu cabelo e estreitou-me mais nos seus braços. Senti o seu coração junto ao meu, a bater ao mesmo ritmo, como se fosse só um. As nossas pernas estavam entrelaçadas. Sentia-me cravar as unhas no casaco dele, e enquanto rodopiávamos na pista as nossas respirações ficavam mais e mais ofegantes. Na minha mente tinha flashes da nossa primeira noite, sentia os lábios inchados como se ele mos tivesse beijado naquele momento, sentia novamente todas as carícias e todo o prazer que me tinha proporcionado, apesar de estarmos apenas a dançar. E sei que ele sentia o mesmo. A música terminou e com ela veio um gemido simultâneo. Afastamo-nos e olhamos nos olhos um do outro. E depois, mais uma vez, virei costas e saí do salão. Dirigi até casa e deitei-me sem pensar em mais nada. Sentia que um capitulo da minha vida estava finalmente acabado. A minha cama continua fria, continuo sem ninguém a meu lado, mas sei que estes momentos por mais efémeros que tenham sido valeram por todas as minhas anteriores relações. Nesta dança fiz as pazes comigo e contigo também. Espero que sejas feliz. Tens uma filha e uma mulher que te adoram. Aprende a aproveitar. Espero que a tua cama nunca fique fria como está a minha.
TM 21/04/2008

domingo, 20 de abril de 2008

Beija-me

Pedi-te um beijo. Não um beijo de amigo mas um beijo de quem ama. Um beijo que me peça o coração e a alma. Um beijo que me peça tudo, pois tudo eu te darei. Mesmo que tu não dês. Quero um beijo, um verdadeiro beijo. Mais que um beijo de amor, um beijo de paixão! Um beijo ardente, quente que me leve a lugares que eu nunca fui. Sabes do que estou a falar? Então beija-me! Abraça-me junto a ti, agarra-me com força, faz-me tua. Quero-te aqui. Comigo, junto a mim. Mesmo que seja só por um momento. Mesmo que depois te separes e não me voltes a tocar. Mas beija-me! Faz-me sentir viva ao menos uma vez! Beija-me... Faz-me sentir mulher. TM 20/04/2008

Finalmente!

Apareceu o meu Sol!

Espreitou timidamente e iluminou o meu rosto.

Os seus raios abraçaram-me e aqueceram-me o coração...

O Sol.

O meu Sol.

Apesar de toda a chuva, do ameaçador vento, apesar de todas as intempérides do mundo, o meu Sol vai sempre conseguir romper e os seus raios vão encontrar-me sempre à espera.

As nuvens podem vir!

Venham os trovões e a chuva!

Tudo isso passa, e o meu Sol vai ficar.

O meu Sol fica porque é mais forte que tudo. E cada raio que me toca me dá forças para seguir em frente mais um dia. Passo a passo. Construindo o meu camiho rumo à felicidade.

Não tenho medo. Porque o meu Sol nunca se apagará.

Contra tudo e contra todos.

Eu e o meu Sol.

Um caminho que tenho de percorrer.

Sem medos porque estás comigo.

TM 20/04/2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Desespero

Amor... Palavra banalizada pela boca de uns. Palavra que queria poder dizer-te e não consigo. Não consigo porque sei que não sentes o mesmo. Se não sentes o mesmo para quê dizer-to? Iria apenas dar-te um fardo que não mereces carregar. Iria apenas estar a estragar o que estamos a construir. Não vale a pena. Ironia... quantas vezes disse “amo-te” sem o sentir, sem o querer de facto dizer. E agora que o quero dizer, melhor, que o quero ouvir... Quero esquecer a dor da palavra. Quero esquecer que a palavra me corta por dentro como lâmina afiada. Magoas-me sem saber, e não quero que o saibas. Amo-te sem o saberes, amo-te sem o dizer. Como aconteceu? Sabes tu? Sei-o eu? Não, não sei... sei apenas que o sinto. Amor... Palavra fácil de dizer, ainda mais fácil de fingir mas difícil de sentir. Quero que sejas feliz. Quero que um dia possas dizer que amas e senti-lo no teu peito. Não banalizes uma palavra que tanto valor tem. O amor não faz parte do meu caminho. O amor é no meu peito um espinho. O amor apenas me faz sofrer. Sem amor terei de viver.

Lágrima

Uma lágrima solitária percorre o meu rosto. Cai dos olhos verdes e percorre o nariz e desliza pela face contrária até se perder na brancura da almofada comprimida contra o meu rosto. Uma lágrima silenciosa. Uma minúscula gota que carrega uma enorme dor, a dor de desistir, a dor da rendição. Choro porque sei que não tenho mais forças para batalhar. Porque estou farta de lutar, falhar, cair e ter de me levantar. Desta vez caí e os meus joelhos não respondem ao que o meu cérebro ordena. Sinto um tumulto de sensações no meu peito... e a única coisa que sai é esta lágrima. Embora grite, urre por dentro os meus lábios estão cerrados. Embora sinta a o coração despedaçado, a alma rasgada como se folha de papel fosse, embora sinta mais dor que alguma vez senti apenas esta pequena lágrima cai dos meus olhos. Mais do que amar quero ser amada! Necessito de ser amada... Fui traída, trocada, ofendida por todos aqueles em quem confiava. Acusam-me do que não fiz, não reconhecem as minhas batalhas, desconhecem as minhas vitórias... Estou farta! Não quero mais chorar! Mas ao mesmo tempo não tenho forças para resistir. Perdi. A prova disso? É esta pequena lágrima que cai pelos meus olhos e desliza pelo meu rosto. Acabou. Perdi. E nunca irei ganhar. TM 18/04/2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A cama está fria - Segunda Parte

Abro os olhos e observo o tecto do quarto. Sinto-me vazia, sem vida mas não percebo porquê. Tenho os olhos pesados e doridos, a almofada ainda está húmida. Terei Chorado até adormecer? De repente as dolorosas memórias da noite anterior assaltam-me a mente. Como pode algo tão lindo, tão perfeito, causar tanta dor? Quero desaparecer e esquecer-me que algum dia ganhei a coragem de dar o passo. Por momentos pensei que estávamos em sintonia! Real sintonia daquela que só há nos livros... Devia saber que coisas assim não acontecem a pessoas como eu. Vergonha... Mas vergonha de quê? De ter tido coragem de assumir o que sinto? De ter pensado que finalmente a vida me sorria? Sorrio e abano a cabeça. Um sorriso sem alegria, um sorriso de desespero. Levanto-me lentamente e noto que apesar de ter estado parte da noite na minha cama ela continua fria, gelada. Também eu estou fria, como se o calor do meu corpo se tivesse perdido quando me separei dele. Vou até à casa de banho onde espero que um duche rápido me refaça do choque. O reflexo do espelho mostra um rosto pálido, sem brilho, olhos vermelhos e inchados, olheiras profundas... Nem pareço eu. A água quente relaxa-me e devolve-me um pouco do calor que pareço ter perdido. Faço o ritual de todos os dias. Limpo cada parte do meu corpo e passo a loção. É algo que já faço mecanicamente. Mas noto que tenho o corpo mais sensível. Tenho marcas da noite fantástica que passei... Fantástica até ao último segundo claro. Novas lembranças me assaltam pela segunda vez. Mas desta vez não sinto a humilhação da rejeição mas o prazer do toque. Sinto-me corar, sinto-me estúpida por ainda sentir o mesmo amor apesar de tudo, sinto-me excitada um vez mais. Respiro fundo e afasto os pensamentos. Tento não pensar em nada enquanto visto o robe e sai da casa de banho. Tenho a toalha na mão e vou esfregando vigorosamente o cabelo para o secar. O instinto alerta-me que não estou só. Levanto os olhos e vejo o homem que me atormenta os pensamentos sentado na minha cama. Também ele tem olheiras e a barba incipiente demonstram que não deve ter dormido. Suspeito que tenha abandonado não só o quarto mas tambéms a casa. Claro que nem me apercebi, de tão atordoada que estava. "Temos de falar" diz brevemente sem levantar o olhar. Todos os sentimentos se convertem em fúria! Ele é que procede mal, tem uma atitude no mínimo estranha e depois nem tem a decência de me olhar nos olhos? "Falar? Parece-me que ontem foi tudo muito claro" não consigo evitar que a voz trema. Sei que ele nota a minha mágoa, sei que nota o meu ressentimento. De estranhar seria que não o notasse! Afinal moramos juntos há meses e conhecemo-nos há anos... "Sei que estás magoada..." "Não! Tu não sabes nada! Enganaste-me e era a única coisa que não esperava de ti... Sabes que não sou uma rapariga de ter casos de uma noite só! Aproveitaste-te de mim, Tiago, e isso nunca te vou perdoar..." Todas as lágrimas que não chorei ontem acumulam-se nos olhos. Sinto as faces coradas mas desta vez não é devido às caricias experientes, é devido a raiva que sinto no meu peito! Sinto-me explodir por dentro e só me apetece ter uma atitude irreflectida e esbofeteá-lo! Mas sei que não iria resolver nada, apesar de me fazer sentir melhor... Possivelmente. "Nôno, tu não sabes o sufoco que passei! Sempre gostei de ti, mas eras uma miúda! A irmã do meu melhor amigo" olho com incredulidade. No fundo do meu coração queria acreditar nas palavras que me dizia, mas o senso comum alertava-me. Sei que os homensdizem tudo para manter a cama quente. "Quando disseste que te ias mudar para aqui, nem acreditei! Pensei sinceramente que não podia ter tanta sorte. Vieste. Não como a irmã do meu melhor amigo, mas como uma jovem mulher que se tornou na minha melhor amiga. Compreendes porque nunca disse nada? Não queria perder o que temos, ou tínhamos, nem sei..." Levanta os olhosque, vejo agora, estáo marejados com lágrimas. Será verdade? Arrisco-me a acreditar? "Não faz sentido... nunca demonstraste nada" "Claro! Eras uma criança quando te conheci, continuavas uma menina quando vieste para aqui... Mas sempre te amei Leonor, sempre!" Uma pequena réstia de esperança volta a acender-se no meu peito. Será possivel? Terá sido um mal entendido? Apetece-me lançar-me nos braços dele para recuperar novamente o calor do meu corpo. Mas preciso de ouvir tudo. "Então porque me rejeitaste?" reparo que continuo com a toalha encostada ao cabelo. Dobro-a e encosto-a ao peito como se fosse um escudo protector. "Se me amas como dizes, não entendo o que se passou ontem... Foi tudo tão perfeito, tão bom..." "Eu..." o suspiro de frustração apaga a chama dentro de mim. Algo não está bem, sei-o agora mas desconfio que sempre soube, desde que o vi sentado na cama do meu quarto. "Nôno eu envolvi-me com outra pessoa... Claro que te amo a ti e é contigo que quero estar. Compreende que agora que sei que também sentes o mesmo por mim eu vou rectificar a situação. É contigo que quero estar, se tu também quiseres. Quero que sejas minha como foste ontem e ter-te junto a mim" Levanta-se da cama e chega até mim. Pega na minha mão e beija-me os dedos suavemente. A sua voz não é mais que uma carícia "Quero-te" Não sei como mas a toalha que já poucos segundos agarrava contra o meu peito como se da minha propria vida se trata-se caiu-me aos pés. Estava novamente nos braços dele e rapidamente voltei a sentir o fogo dentro de mim. Cada beijo me enlouquecia mais e mais, cada caricia, cada suspiro. Não conseguia pensar, não podia respirar, era demais. Oh como eu amo este homem! Sentir as suas mãos que me abrem tão agilmente o robe e tocam a minha pele núa outra vez. sinto as mãos a percorrerem-me os seios e que são substituidas pela língua ávida de desejo, que me acariciam a ponto da loucura. Sinto como os dedos ágeis me separam as pernas e me levam a novo cumo de prazer mas sinto-me estrenhamente lúcida. "Não" A palavra é apenas sussurrada mas consigo encontrar forças para o empurrar. "Não?" a incredulidade misturada com o golpe no ego masculino "Que queres dizer com não?" "Quero dizer apenas que ontem não sabia que eras comprometido" disse enquanto fechava o robe "Mas hoje sei... e se fazes isso com a tua actual companheira, que confiança vou ter em ti no futuro? Como vou saber que não me vais trair se encontrares 'outra' Leonor?" Abanei a cabeça ao ver a incredulidade no olhar "Esquece! Eu não sou assim." Ignorei a presença dele, que pelos vistos ficou sem reacção. Tirei roupa do meu armário e vesti-me como se estivesse só. Sai do quarto sem olhar para trás. Continuo com a minha cama frio, mas a dignidade intacta. TM 14/04/2008

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A cama está fria

A cama está fria. Sinto o frio dos lençóis contra o meu corpo mas não me apetece mexer. Sei que vais chegar a qualquer momento, sei que em breve vou deixar de estar só. Ouço a chave na fechadura, enterneço-me com o cuidado que tens em entrar sem barulho para não me acordares… Se soubesses que estou à tua espera… Caminhas lentamente pela casa e eu fecho os olhos e imagino-te: primeiro vais até à sala confirmar que as janelas estão fechadas (sempre foste protector), depois vais à cozinha para matar a sede com que chegas todas as noites… Também eu tenho sede, mas a minha não pode ser só saciada com água. Tenho sede de ti… Mais uns minutos se passam e ouço finalmente a maçaneta do teu quarto rodar. Abres a porta lentamente e entras no quarto sem acender as luzes. Pousas o teu saco e desapertas a gravata. Observo-te na escuridão do quarto e tudo me parece belo, gracioso, perfeito. Os teus movimentos, a tua expressão, até a forma como desapertas os botões me parece linda. Eis quando levantas o rosto e te apercebes que não estás só. Imagino como deves estar a pensar que talvez te tenhas enganado no quarto mas um rápido movimento, quase imperceptível, de olhos confirma-te que o quarto é o correcto, e eu estou na tua cama. Não desvio o olhar mas sei que pouco distingues do meu rosto, o quarto está escuro e deves ver apenas o brilho dos meus olhos. Prendo-te o olhar. Lentamente ganho a coragem que levei meses (quem sabe anos!) a criar e afasto os lençóis, num convite silencioso ao que sempre desejei. Os segundos arrastam-se e tu não te mexes… sinto que algo dentro de mim morre e começo a pensar que o melhor é sair enquanto ainda me resta alguma dignidade e aceitar a recusa de cabeça erguida, afinal já não somos crianças. Afinal já não somos crianças, não… Somos amigos de infância, daqueles que sempre foram seres assexuados, que brincavam sem malícia, sem segundas intenções. Mas eu quero mais! Desconfio que sempre quis, mas quem o pode dizer com certeza? Apenas sei que um dia olhei para ti e tudo mudou… Vi os teus olhos escuros, os cabelos ensopados de chuva e senti que eras o homem ideal para mim… que ironia! Vivo na mesma casa que tu e precisei de anos para o descobrir. Lembro-me de tudo. Do passado, do presente e questiono o que será o futuro? Como vou conseguir viver aqui depois de tudo? Suspiro, fecho os olhos por um segundo… Mas quando os volto a abrir descubro que tu te mexeste. O meu coração dispara, sinto que a minha respiração está mais acelerada. Cada passo que dás em direcção à cama faz o ritmo aumentar. Meu Deus o que vais fazer? Tapar-me? Sentar-te? Conversar? E agora? Apoias o joelho na cama. Sinto o colchão mexer sob o teu peso. A tua mão treme. Hesitas um segundo mas depois esticas a mão e acaricias-me o rosto. Sussurras algo que o meu cérebro demora a processar: “Quem me dera que tivesse sido sempre assim.” O meu coração explode de alegria e não consigo conter um sorriso rasgado. Os meus olhos dizem tudo! Sentes o mesmo que eu! Acaricio-te o braço e não digo nada. Na verdade creio que não consigo falar. A minha cabeça é um turbilhão, o meu coração parece que quer saltar do peito e desejo que me toques e me faças sentir mulher pela primeira vez. Então acontece… Lentamente, muito lentamente baixas-te até mim e roças os lábios nos meus. Um toque muito suave mas que me eleva até onde nunca tinha estado. Sinto-me uma criança, parece que nunca fui tocada, acariciada, amada… cada toque, cada roçar, cada bafo do teu hálito na minha pele me excita. Sinto-te em todo o meu corpo, embora ainda só tenhas roçado os meus lábios. Afastas a cara e sorris. Tenho a face corada mas isso não vez, está escuro. A respiração cada vez mais ofegante. Tocas o meu nariz com o teu, como se me quisesses transmitir calma. Vai tudo correr bem. Mordo o lábio, mais nervosa que aquilo que gostaria de admitir. Beijas-me então. Agora sim um verdadeiro beijo. Separo os lábios para te poder sentir melhor. O teu beijo é tudo o que imaginava e ainda mais. Os lençóis impedem-me de mexer as pernas, sinto-me presa. Como se o tivesses adivinhado afastas a roupa e relaxas sobre mim. Sinto o teu peso e finalmente sinto-me completa. Desces uma mão pelo meu corpo, passas sobre o meu peito, desces pela cintura até encontrar o fim do tecido do pijama. Acaricias-me a pele nua e sinto-me arrepiar. O beijo não tem fim e deixo de conseguir distinguir o que me fazes. Tenho noção que me acaricias e que me vais despindo, mas estou num tal estado de euforia que não consigo raciocinar. Beijas-me a face, o pescoço, acaricias-me com a língua. Sussurras palavras incompreensíveis e sei que faço o mesmo. Toco-te as costas e vejo que em algum ponto tiraste a camisa mas nem disso me apercebi. Em poucos minutos vestimos apenas a nossa pele, os nossos corpos brilham com o suor. Tocas-me no corpo e na alma. O momento parece-me perfeito. Sinto-te enquanto me penetras. O mundo parece parar! Aliás, parece que estamos em sintonia com o mundo! Sinto-me flutuar no espaço e de repente arrastada num turbilhão de luz, o tempo que pareceu arrastar-se apenas há uns minutos atrás está agora numa correria sem fim. Sei que estamos perto do vértice onde se vê a luz brilhante que é a tua alma e a minha. Desabas sobre mim, tens o cabelo colado a testa tal como no dia em que te comecei a amar. Afasto-te a franja da cara e sinto o meu sorriso a voltar. A tua respiração normaliza. Está tudo perfeito. Subitamente levantas-te e já não és o homem que me sorri em cumplicidade. Não reconheço o teu rosto. Balbucias frases sem nexo e consigo perceber apenas as palavras “Erro” e “compromisso”. Vestes-te e sais sem olhar para trás… Os meus olhos ardem com as lágrimas não choradas… Sinto que o mundo parou. Levanto-me da cama que agora não cheira só a ti, cheira a nós. Sinto uma nostalgia agridoce que me enche o peito. Visto-me e vou até ao meu quarto. Lavo o rosto e fico estranhamente vazia, sem sentimentos, inerte, sem vida. Deito-me na cama. A minha cama está fria.
TM 11/04/2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Adeus

A escuridão envolve-a lentamente.

Estende a mão e tenta em vão perceber os contornos dos seus dedos. É uma sensação estranha pois ela sabe que os dedos estão lá, tem consciência que os dedos existem, sente-os, mas não os consegue ver.Na sua mente passam teorias fantásticas e relações absurdas entre os seus dedos “invisíveis” e os sentimentos da humanidade. Orgulha-se de ter filosofias próprias e de ser uma menina inteligente.

Mas num segundo tudo se transforma e em vez de pensar nos sentimentos dos outros pensa nela própria. Sente-se invisível, não só por causa do crepúsculo que se adensava cada vez mais, mas transparente para o mundo. “Se eu desaparecer quem notará a minha falta?” A questão surge vinda do seu cérebro e o sentimento de leve alegria transforma-se em pânico. Sente-se só, abandonada, esquecida por todos.

De repente sente uma mão sobre a sua. “Não estou só”, pensa enquanto sente o seu coração serenar. Ao início não é mais que uma sua pressão, uma carícia que poderia ser o vento a soprar com mais força mas vento nenhum tem um tocar tão doce.Como é bom aquele toque, como a faz sentir bem. E o que parecia um escuro opressivo volta a ser a agradável escuridão. Ela abraça o desconhecido. Quer saber se há mais além daquela mão suave. Sente o toque e toca também. Inicia-se uma guerra dos corpos que ninguém quer vencer, uma guerra das almas que tentam descobrir, dar e receber, uma fusão das mentes que não se conhecem. Entrega-se ao desconhecido e deixa-se levar.

De repente o golpe surge, seguindo-se outro e ainda mais outro. Os espasmos de êxtase são substituídos por um sentimento novo… o sabor metálico nos lábios são um indicio de que algo está mal. Sente-se fria, mais uma vez abandonada e ouve os passos que se afastam rapidamente.

A escuridão envolve-a lentamente… mas desta vez não é o suave crepúsculo que se adensa, é a luz dos seus olhos que deixa de se ver.

Nem tudo o que é desconhecido é bom… Agora podes voar mais alto que os pássaros! Estica as tuas asas de anjo e voa… finalmente és livre. Sê feliz…

TM 04/04/2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Madly in love

Deste-me a mão e sussurraste-me ao ouvido o quanto gostas de mim... Ajudaste-me a levantar, a erguer-me quando pensei que tudo tinha acabado... Ergui-me do fundo do poço onde me encontrava, apenas pelo toque da tua mão, pelo som da tua voz, pelo cheiro do teu corpo... Apaixonei-me por ti quando pensei que o meu coração não podia mais amar, apaixonei-me por ti mesmo não me querendo apaixonar. O meu coração que pensei que estava partido e sem recuperação recuperou-se! Bate novamente e está vivo! Bate de amor por ti! Como aconteceu? Sabes tu? Eu não o sei... sei apenas que é verdade! É o que sinto, é o que me vai na alma! Quero-te, desejo-te, preciso de ti a meu lado... Só de ti e de mais ninguém. És a vida que inunda o meu corpo, o homem com que sempre sonhei para mim... Dizer que te amo é pouco para exprimir o que sinto, não há palavra ou expressão que faça jus a ti. Perdoa-me se te soa vulgar, mas é o melhor que posso fazer, o melhor que consigo fazer... Mesmo que nunca o venhas a descobrir, aqui exponho o meu coração, sem medo do que o futuro nos possa reservar... TM 31/03/2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sinto-me...

Sinto-me morrer... sinto a vida a fugir do meu corpo para não mais voltar... sinto a doce sopro da morte que me alicia e me chama... sinto a escuridão que me abraça e me envolve lentamente.
Sinto-me a desaparecer... sinto que a cada dia que passa cada vez me vêem menos, sinto-me invisível perante os outros, sinto que não sou ninguém.
Sinto-me afundar cada vez mais... sinto que não tenho forças para continuar a lutar, sinto que não posso fazer mais, sinto vontade de desistir...
Quero morrer! Quero desaparecer! Quero afundar-me!
Quem sentiria a minha falta se isso acontecesse? Quem? Tu? Alguém? Não, ninguém... não sentimos falta de quem não vemos, de quem nada sabemos, de quem não amamos... Ai triste vida que continuas nesta ébria melancolia... Continua o teu caminho... até teres força para lutar ou a coragem de desistir... TM 23/03/2008

sexta-feira, 21 de março de 2008

Porquê

Porquê? Porque é que sinto esta dor que me dilacera o coração? Porque sinto que o meu coração se esvai em sangue apenas por pensar em ti? Porquê? Porque não sou capaz de olhar para ti sem sentir os olhos a arder com as lágrimas reprimidas? Porque sou incapaz de falar contigo sem que a voz me trema? Porquê? Porque me dói tanto apenas pensar? Porque sinto o teu cheiro mesmo quando não estás? Diz-me porquê??? Porque te amo e não te consigo arrancar de dentro de mim, mesmo sabendo que me fazes mal? Mesmo sabendo que só me trarás lágrimas e sofrimento... Serei assim tão masoquista? Gostarei assim tanto de sofrer? Diz-me!!! Eu exijo saber quem te deu autorização para penetrares no meu peito e não mais sair? Porquê? Diz-me porquê e juro que não pergunto mais nada... Faltam-me as forças para continuar... sinto que cheguei ao meu fundo e ninguém me estende a mão para sair, ou talvez seja eu que não a queira aceitar... Já não sei. Soube alguma vez? Diz-me porquê... Por favor, diz-me porquê... TM 21/03/2007